Pre natal, parto e atendimento infantil na Rede Publica de Saude Australiana.

Tenho lido alguns textos que discorrem sobre como é ter um filho fora do Brasil e me inspirei para escrever sobre como tudo aconteceu comigo aqui.

aussie

Primeiro, vale frisar que a nossa familia utiliza exclusivamente a rede publica para atendimento medico ou seja, até hoje nao gastei absolutamente nada. Nao gastei nada com o pre natal (exceto o ultrasom 4D para ver a carinha dela, que é privado), nada com o parto, nada com o acompanhamento até hoje. Ah, lembrando que ela tem 4 meses e nunca viu um pediatra.

Quando eu descobri que estava gravida, corri para um clinico geral para entender como tudo funciona por aqui pois eu simplesmente nao sabia por onde começar. De acordo com a localizacao da minha residencia, fui orientada que teria naquele tal hospital (RPAH), que era o mais proximo da minha casa. O medico conversou comigo sobre tres possibilidades de atendimento: privado com medico obstetra, um mix de medico clinico geral e parteiras ou somente com as parteiras no hospital. Optei pelo ultimo.

Ate 28 semanas de gestacao, visitei as parteiras mensalmente. Frequentei aulinhas sobre tudo: sobre o parto, maternidade, amamentacao e mudanças fisicas no meu corpo. Ao todo foi um curso de 9 aulas. Fiz ultrasom morfologico, um “dating” para confirmar a idade do feto e um para checar a possibilidade de ter sindrome de down. Fiz teste de diabetes, teste sanguineo (duas vezes) e em uma das consultas eu acabei tendo que ver um medico para me explicar sobre a vacina Anti-D que eu teria que tomar (pois sou rhesus negativo e o Claudio é positivo). Por esse motivo, participei de um grupo de pesquisa da Universidade de Queensland sobre esse assunto do Rhesus. Eles testaram o sangue do proprio feto (atraves do meu) e detectaram que ela era rhesus positivo, entao tive que tomar a vacina. Caso fosse negativo, eu nao precisaria. Tambem dentro do hospital temos a opcao de parir no “Labour Ward” (um quarto normal de hospital. Tem cama, banquinho, banheiro com banheira e ate bola de pilates). Essa opcao de quarto é mais “clinico”, mais de hospital. Aqui tem monitores, gas, e analgesia mais rapida se for pedido. A segunda opçao é o “Birthing Centre”, como se fosse uma casa de parto. É tudo maior, parece um quarto de casa mesmo e nao existe analgesia nenhuma disponivel. Escolhi o ward por insegurança em relaçao a analgesia rsrs, mas no fim passei a metade do meu parto no Birthing Centre (por falta de lugar no Ward). Cesarianas na rede publica acontecem apenas em caso de emergencia, portanto sao efetuadas na UTI neonatal do hospital.

A partir de 28 semanas eu passei a ir ao hospital ver as parteiras quinzenalmente e discutiamos sobre tudo, elas mediam minha barriga para ver se estava crescendo, mediam o batimento da Domi e tambem checavam como andavam as coisas. Elas sempre frisavam muito a importancia dos exercicios para fortalecimento da pelvis. Sempre com parteiras variadas, mas em uma dessas consultas fui atendida por uma estudante da Universidade de Sydney. Ela perguntou se eu gostaria de ser acompanhada por ela. Se voce estiver na rede publica, nao pode escolher a parteira que queres que te acompanhe, porem se ela for estudante pode. Eu gostei muito dela e topei, por isso a partir desse dia passei a ser vista apenas por ela. Alem de me acompanhar em todas as visitas ela tambem me deu o seu telefone pessoal e se disse disponivel 100% do tempo se eu precisasse contactar para alguma duvida (vou fazer uma pausa no texto agora para mandar uma fotinho da Domi para ela!)

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Minha parteira Brittany manuseando a nossa árvore da vida, depois do parto.

A partir de 37 semanas passei a ir ao hospital semanalmente, para um rapido check up. So que na 39a eu fui pra la ja em TP rsrs…. Nao vou escrever meu relato de parto pois ja o fiz. Se interessar, acesse aqui.

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Primeiro contato (que sujinha linda)
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Primeira mamada

Bom, assim que ela nasceu elas nos deixaram sozinhos na sala para curtir a bebe e a parteira me falou varias vezes da importancia de grudar ela no meu peito (skin to skin) e deixar um tempao em contato com a pele, assim ajuda com o apego. Logo ja coloquei ela para mamar tambem. Um tempinho depois dei ela pro Claudio, fui tomar meu banho e subimos para o quarto (fiquei 2 noites no hospital por causa dos meus pontos, tive laceraçao). Na subida pro quarto paramos na salinha para pesar e medir a Domi, foi a primeira vez que eu tirei ela do meu colo (fora o banho) – acho que umas 2 horas depois de nascer. O quarto era dividido com outra mãe, mas isso nao me incomodou nem um pouco. Passamos nos duas a noite em claro porque quando nao era a Domi gritando, era a Sophia. A unica coisa que me incomodou é o fato de que o Claudio nao podia passar a noite comigo ali, so poderia entrar apos as 7 da manha e tinha que sair ate as 10 da noite – mas as parteiras sempre vinham checar a gente o tempo todo. Me serviram comida vegana, pois pedi e fiquei bem feliz com isso. Me surpreendi, era sempre uma delicia.

comida veg
Antes de sair do hospital eles checaram a Domi, fizeram o  teste do pezinho, checaram a audiçao e a visao, e mais uns testes e me deram um livro que chama “Blue Book” com todo o historico de nascimento e para registrar o desenvolvimento dela. Em casa tive visita das parteiras 3 vezes nas primeiras 2 semanas, sempre checando como estamos, medindo e pesando ela, me orientando com a amamentacao e tambem verificando como estava a minha cicatrizaçao.

Depois das visitas, passei a frequentar as clinicas infantis. La tem varias parteiras e enfermeiras obstetras que acompanham a criança. Tem os check ups agendados (o primeiro, depois o de 6 semanas e o proximo é com 6 meses) e tambem posso ir na clinica nos horarios sem agendamento (sao 2 vezes por semana que tem um periodo assim), para tirar duvidas em geral. Nas visitas elas nos orientam sobre cada fase, sobre o desenvolvimento, introducao a alimentacao e tambem dao contatos de grupos de mae locais, grupos de amamentacao, grupos de atividade, etc. e la tem uma balança que podemos utilizar a qualquer momento.  Minha mae (que provaelmente conhece o atendimento de saude brasileiro – privado – melhor que eu) ficou boquiaberta com o carinho e disponibilidade das enfermeiras que nos atendiam. Extremamente atenciosas.

Aqui percebo que elas nos orientam e motivam muito a amamentar. A amamentaçao exclusiva e em livre demanda foi fortemente indicada por todos os profissionais que passaram por mim. Muito contato pele com pele tambem me foi indicado. Cada vez que eu perguntava sobre comprar alguma coisa meio superflua, elas me falavam “Pra que? Nao precisa.” Ou seja, aqui o consumismo alem de tudo é desmotivado! Tambem em relacao a remedios – quando a Domi estava na fase das colicas eu fui la pedir ajuda e disse que queria recomendacao de algum remedinho. Ela falou: “Olha, tem esse mas nao adianta muito nao. Esse chorinho de colica se resolve com amor e atencao.” Em relacao à amamentacao, existe um telefone que se pode ligar para tirar duvidas (7 dias por semana) e eles sao muito atenciosos. Tambem uma coisa que me chamou atencao, é que essas enfermeiras que me orientavam nas clinicas infantis sempre me motivaram a seguir meus instintos. Cada vez que eu apresentava uma duvida, me eram colocadas varias opcoes e sempre tinha a liberdade de escolher o que eu achava melhor. E elas sempre levavam muito a serio o meu feeling e o que eu sugeria que a Domi tinha. A Domi NUNCA viu um pediatra – uma vez a levei em um clinico geral pois achei que estava com alergia, quando na verdade era apenas hormonios do nascimento (eu poderia ter tirado essa duvida com as enfermeiras da clinica).

Tudo publico, gente… tudo. Estou muito feliz e satisteita com o sistema aqui! Gostaria muito de ter tido parto domiciliar, porem quando procurei sobre, vi que precisaria contratar uma equipe privada e iria fazer uma grande diferenca no nosso orçamento. Hoje mudei de estado (estou morando no distrito federal) e vi que existe uma proposta para incluir PD no sistema de saude aqui. Tomara (Ja pensando no proximo, rs. Mentira.) !! ❤

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